domingo, 2 de outubro de 2016

A Golondrina - 2

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É claro que só poderia me surgir quando as flores dos ipês desabrochassem durante a primavera.

Usava sapatilhas, que em muito se parecem com as sapatilhas de Li, exceto pela falta de flores bordadas em pronto cruz...

Tem um olhar profundo e uma presença corporal sensível e silenciosa.


É uma força da natureza, das mais sutis e das mais belas de presenciar.

"É você. "

Sentenciei assim que o mundo me permitiu.

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A GOLONDRINA - 1

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Não seria justo que nesta janela eu só escreva a respeito de sonhos e prantos. Ou mesmo a respeito de tantas profecias, suposições esperançosas... e a respeito da espera silenciosa pelos seus cumprimentos.


Não, não seria mesmo justo.


...


Era uma manhã ensolarada, quando ela apareceu. Linda, inexplicavelmente linda.


E assim que a vi eu soube: era ela. Definitivamente era ela...

Completa, inteira...


Estava bem diante de mim e olhava bem fundo  nos meus olhos.


Os mesmo olhos...

Os mesmos olhos.




Desde hoje escrevo os últimos capítulos dessa busca de anos.

E tudo começa quando ela pousou ao meu redor.

e de quando subitamente fui  tomado por seu amor.

"A casa da espera não mais me abriga, eu pensei". "Eis que me atiro por uma de suas janelas, completamente sem medo".

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domingo, 6 de março de 2016

DÚVIDAS



Posso comprar uma bicicleta. Talvez não seja suficiente achar que bastam minhas bolonhesas carregadas de alho. Talvez eu precise comprar um ferro de passar roupa. Minha opção de usar tecidos que não amassem talvez não seja a opção dela. Poderíamos andar juntos... mas aqui é tão perigoso... melhor comprar bicicletas usadas. Eu deveria fazer um esforço de tirá-la por um instante de minha cabeça. Ah eu poderia comprar bicicletas novas, Se fôssemos andar eu poderia fazer como fazem os imbecis: usaria o carro para levá-las a um lugar seguro para pedalar.

Vou colocar a janela no texto. Eu acho que Alice merece olhar através de uma janela de vidros coloridos... é um dos meus tesouros de infância. Eu poderia até mesmo usar o velho texto, literalmente, na voz do narrador. Mas por onde andará o original? Não há arquivos dele no computador. Minha vida de escritor se divide em duas partes, numa delas eu escrevia numa Hemington. De qualquer modo vou revirar as caixas do passado. Não gosto de fazer isso, é doloroso.

Talvez eu deva desenhar a trilha com um violino, afinal, a função de aprender a tocar um pouco de violino era exatamente trilhar meus textos. Sempre precisei das mãos mágicas dos sons e timbres para escrever. Quando cansei de solfejar precisei aprender a tocar um instrumento. Escolhi o violino.

Puxa...

Acho que preciso escolher:
Uma bicicleta usada ou um violino usado. Ou uma coisa ou outra.
E ainda tem o ferro de passar roupa...
Ou eu poderia solucionar tudo apenas com uma bolonhesa.
Decido isso enquanto estiver forfulhando em minhas caixas do passado, em busca das janelas de vidro colorido.

Ops! Lembrei de uma cena do filme “O violinista que vem do mar”. O náufrago diante do violinista local. Ah no violino bem que eu gostaria de ser o náufrago, mas se eu fosse o náufrago eu não seria escritor. Ora bolas, se eu fosse marionetista eu não seria escritor... se eu fosse cenógrafo.....   cozinheiro...

Se eu fosse escritor eu não seria escritor.

Sou o violinista local.