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E que se marque com letras grandes:
neste onze deste mês, decidiu-se pela busca. arrancaram-se enfim as velas dos mastros e tudo se deixou ir quase á deriva a nau, pois o que lhe conduzia era a certeza de que nisso ou naquilo não há incertezas. Navegar na imprecisão do verbo navegar é navegar somente com o mar...
feche os olhos menina, diz a voz.
feche os olhos.
ouça-me novamente...
sou a voz do que foi dito anteontem.
vestida com verdades veladas. segredos para poucos desvendarem. nudez para raros olhos.
o moinho finalmente volta a girar?
abra então os pulmões menina, o giravento é sua casa, mas o vento é sua vida. respire-o até seu último instante.
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segunda-feira, 11 de julho de 2011
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(republicação)
"TEHLLEMA
A elegia chora o infinito e a natureza perdida de algo redentor. A elegia chora o ideal longínquo.
Porém, aqui não se espera, pois aqui é a casa da virtude e das vontades. E a casa das vontades é grande, com janelas que se abrem a todos os horizontes. Esta casa está quase sempre vazia, nela o primeiro anseio a surgir é dela sair em viagem. Esta casa é Tehllemah. Passa através dela o prodigioso vento criador trazendo os grãos das terras que ficam muito além do rio de cor laranja; muito além das terras do cavaleiro; muito além das muralhas sinuosas de antrofazia , cidade dos circos, dos aplausos, das luzes da ilusão.
Aqui não não há elegias.
aqui restam os murmúrios esperançosos da criatura de mil faces, possuidora do poder de se confundir à multidão. Em Tehllema, sua multiplicidade de fisionomias se resume a uma só, e esta não é nenhuma das milhares que costumeiramente se vale para caminhar entre as hordas. No interior de tehllemah ele caminha seminu, envolvido de linho fino, seu olhar é sereno, sua voz pouco se ouve, ele se coloca ao alpendre e observa através das janelas. Ele está com sono mas nunca dorme.
Construiu tehllemah em dias difíceis, pouco tempo depois de chegar ao sossego.
Desejo de ficar só
argamassa que catalisou os tijolos desta casa."
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(republicação)
"TEHLLEMA
A elegia chora o infinito e a natureza perdida de algo redentor. A elegia chora o ideal longínquo.
Porém, aqui não se espera, pois aqui é a casa da virtude e das vontades. E a casa das vontades é grande, com janelas que se abrem a todos os horizontes. Esta casa está quase sempre vazia, nela o primeiro anseio a surgir é dela sair em viagem. Esta casa é Tehllemah. Passa através dela o prodigioso vento criador trazendo os grãos das terras que ficam muito além do rio de cor laranja; muito além das terras do cavaleiro; muito além das muralhas sinuosas de antrofazia , cidade dos circos, dos aplausos, das luzes da ilusão.
Aqui não não há elegias.
aqui restam os murmúrios esperançosos da criatura de mil faces, possuidora do poder de se confundir à multidão. Em Tehllema, sua multiplicidade de fisionomias se resume a uma só, e esta não é nenhuma das milhares que costumeiramente se vale para caminhar entre as hordas. No interior de tehllemah ele caminha seminu, envolvido de linho fino, seu olhar é sereno, sua voz pouco se ouve, ele se coloca ao alpendre e observa através das janelas. Ele está com sono mas nunca dorme.
Construiu tehllemah em dias difíceis, pouco tempo depois de chegar ao sossego.
Desejo de ficar só
argamassa que catalisou os tijolos desta casa."
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serafim está com a maquiagem a se desfazer...
essa é a última equação da ausência dos remédios cor de contas. ah estes pequenos comprimidos coloridos, responsáveis pelas ilusões que dão vida aos palhaços. cada cor é uma personalidade, uma sensação, um temperamento... um truque.
-mas não há nenhum peixe.
-um aquário não pode existir sem um peixe.
-um peixe pode existir sem um aquário.
com a água depositada no recipiente transparente ele lava seu rosto. a máquiagem líquida escorre pelo seu peito.
-um aquário sem peixe não é um aquário.
"o que você quer de mim?" essa pergunta ainda está ali, nos ouvidos de serafim. "quero aquilo que deseja em mim. quero você. quero o que de mim nasceu em você. não, nada de convencionalidades... eu só posso por agora dar o melhor de mim."
nada de convencionalidades.
-serafim! o que fez com o peixe?
-dei ele ao rio.
[minzy, pensamentos falsos - 2008]
...
depois que suspirou, que se derreteu assim como que do nada o seu último suspiro, o antigo palhaço, o velho incendiário, numa morte um tanto sofrida, enfim, foi embora deste mundo. a moça, que diante dele se media em arguições não muito claras, com a ponta do nariz avermelhada pelos soluços, pousou as mãos dele uma sobre a outra. ela usava agora um outro nome, e é a mesma menina da qual venho a falar o tempo que me cabe, por aqui, por este estranho meio cibernético. ela desceu as escadarias de um prédio em ruínas e observou a cidade que aos poucos se reconstruía mesmo sem ter aprendido a se reconstruir. a passos largos não olhou para os lados até alcançar o porto, desatracou o cais, levantou suas velas, e se deixou nele e com ele ir à foz, presa ainda num olhar ao longínquo, como o dessas meninas tolas de cidades pequenas que passam os dias a sonhar com a beleza intocada do filho único do seu granburgomestre. permaneceu em si mesma por muitas horas até que um brilho no olhar impeliu seu corpo a tomar movimento.
seu ciador morrera afinal, preso num desejo de ainda continuar vivo, pois quem sabe seus caminhos ainda não se tinham terminado, e o seu organismo por natureza humana e infelicidade das almas, fraco e envelhecido, não resistiu ao implacável tempo.
deixar de acreditar no que acredito.
velas ao mar em retorno à cidade que ardera. reviver a honra da poesia de outras palavras, ditas em outros tempos, por bocas e línguas banhadas com saliva e verdade.
reviver o que morreu?
acreditar no que nunca acreditei?
a viagem de volta em quase nada muito demorou. e quando o veleiro se fez em ferro,novamente, diante da antiga cidade, pouco do que restara do povo veio aos poucos ter com suas vistas à cena. Maricéu no convés esperou um instante até que silenciassem. afinou a gargante e disse estas palavras:
"sou de serafim, o palhaço, e vim de muito longe, de uma outra cidade, anunciar, depois de sua morte, anunciar que... ele estava errado... devemos acreditar em tudo o que nos é permitido acreditar"
depois de dizer tais coisas Maricéu se recolheu.
alguns ainda permaneceram no cais a esperar uma continuação do discurso, mas no dia seguinte, o veleiro se afastou do cais e foi-se para além das montanhas que eram vistas ao longe, quase a flutuar sobre o mar.
mas maricéu ficou.
um dos que vigiavam, ao acordar foi ter com ela e lhe indagou:
"senhora. em que devo eu, que vivo sem esperanças, acreditar?"
maricéu nada respondeu. ela sabia que ainda não podia dizer com palavras o que ardia em sua alma.
a paixão e a dor de Serafin gerou uma temperatura tão alta ao redor de seu corpo, que com isso, devido a isso, um grande incêndio se fez e devorou Antrofazia. essa era a lenda dos que viveram naqueles dias.
a dor de uma alma pode destruir o universo dessa alma? universo tão indescritível no qual essa alma habita em segurança?
sim.
a dor sentida pela alma pode destruir o universo tranquilo onde essa alma habita.
mas como esta nova menina, que surge nesta narrativa, foi gerada?
ah... houve um tempo verde.
um tempo em que o frescor da juventude adornou os braços doloridos de um homem que envelhecia. esse foi o tempo de Minzy. esse foi o tempo no qual, apesar de tudo, o amor gerou vida. foi disso que veio esta menina, que todos chamam de Maricéu, pois nasceu para navegar em buscas.
é assim que se cumprem os versos do pulcinelle:
"desancorar os portos...
e buscar um pouso nas altas vergas..."
http://minzyzerafin.blogspot.com/2009/03/minzy-pensamentos-falsos-por-detras-de.html
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serafim está com a maquiagem a se desfazer...
essa é a última equação da ausência dos remédios cor de contas. ah estes pequenos comprimidos coloridos, responsáveis pelas ilusões que dão vida aos palhaços. cada cor é uma personalidade, uma sensação, um temperamento... um truque.
-mas não há nenhum peixe.
-um aquário não pode existir sem um peixe.
-um peixe pode existir sem um aquário.
com a água depositada no recipiente transparente ele lava seu rosto. a máquiagem líquida escorre pelo seu peito.
-um aquário sem peixe não é um aquário.
"o que você quer de mim?" essa pergunta ainda está ali, nos ouvidos de serafim. "quero aquilo que deseja em mim. quero você. quero o que de mim nasceu em você. não, nada de convencionalidades... eu só posso por agora dar o melhor de mim."
nada de convencionalidades.
-serafim! o que fez com o peixe?
-dei ele ao rio.
[minzy, pensamentos falsos - 2008]
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depois que suspirou, que se derreteu assim como que do nada o seu último suspiro, o antigo palhaço, o velho incendiário, numa morte um tanto sofrida, enfim, foi embora deste mundo. a moça, que diante dele se media em arguições não muito claras, com a ponta do nariz avermelhada pelos soluços, pousou as mãos dele uma sobre a outra. ela usava agora um outro nome, e é a mesma menina da qual venho a falar o tempo que me cabe, por aqui, por este estranho meio cibernético. ela desceu as escadarias de um prédio em ruínas e observou a cidade que aos poucos se reconstruía mesmo sem ter aprendido a se reconstruir. a passos largos não olhou para os lados até alcançar o porto, desatracou o cais, levantou suas velas, e se deixou nele e com ele ir à foz, presa ainda num olhar ao longínquo, como o dessas meninas tolas de cidades pequenas que passam os dias a sonhar com a beleza intocada do filho único do seu granburgomestre. permaneceu em si mesma por muitas horas até que um brilho no olhar impeliu seu corpo a tomar movimento.
seu ciador morrera afinal, preso num desejo de ainda continuar vivo, pois quem sabe seus caminhos ainda não se tinham terminado, e o seu organismo por natureza humana e infelicidade das almas, fraco e envelhecido, não resistiu ao implacável tempo.
deixar de acreditar no que acredito.
velas ao mar em retorno à cidade que ardera. reviver a honra da poesia de outras palavras, ditas em outros tempos, por bocas e línguas banhadas com saliva e verdade.
reviver o que morreu?
acreditar no que nunca acreditei?
a viagem de volta em quase nada muito demorou. e quando o veleiro se fez em ferro,novamente, diante da antiga cidade, pouco do que restara do povo veio aos poucos ter com suas vistas à cena. Maricéu no convés esperou um instante até que silenciassem. afinou a gargante e disse estas palavras:
"sou de serafim, o palhaço, e vim de muito longe, de uma outra cidade, anunciar, depois de sua morte, anunciar que... ele estava errado... devemos acreditar em tudo o que nos é permitido acreditar"
depois de dizer tais coisas Maricéu se recolheu.
alguns ainda permaneceram no cais a esperar uma continuação do discurso, mas no dia seguinte, o veleiro se afastou do cais e foi-se para além das montanhas que eram vistas ao longe, quase a flutuar sobre o mar.
mas maricéu ficou.
um dos que vigiavam, ao acordar foi ter com ela e lhe indagou:
"senhora. em que devo eu, que vivo sem esperanças, acreditar?"
maricéu nada respondeu. ela sabia que ainda não podia dizer com palavras o que ardia em sua alma.
a paixão e a dor de Serafin gerou uma temperatura tão alta ao redor de seu corpo, que com isso, devido a isso, um grande incêndio se fez e devorou Antrofazia. essa era a lenda dos que viveram naqueles dias.
a dor de uma alma pode destruir o universo dessa alma? universo tão indescritível no qual essa alma habita em segurança?
sim.
a dor sentida pela alma pode destruir o universo tranquilo onde essa alma habita.
mas como esta nova menina, que surge nesta narrativa, foi gerada?
ah... houve um tempo verde.
um tempo em que o frescor da juventude adornou os braços doloridos de um homem que envelhecia. esse foi o tempo de Minzy. esse foi o tempo no qual, apesar de tudo, o amor gerou vida. foi disso que veio esta menina, que todos chamam de Maricéu, pois nasceu para navegar em buscas.
é assim que se cumprem os versos do pulcinelle:
"desancorar os portos...
e buscar um pouso nas altas vergas..."
http://minzyzerafin.blogspot.com/2009/03/minzy-pensamentos-falsos-por-detras-de.html
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