quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

.
.
.
.
.

e ela o nomeou "habitante de sua falta"...
nessa falta habituou-se parte do escritor

parte do escritor destestou essa casa.

largou-se o moinho. largou-se a praia. largou-se o trigal.

o sossego perdeu o lugar predileto da tranquilidade.

ser detestado pelo mundo inteiro é bem mais difícil que por ele por inteiro ser amado? um Augusto de Herman Hesse me daria uma resposta á altura.

e num mundo onde só reste um único habitante? foi um mundo construído desde Suilan.

e o rosto dessa moça ressurge. Suilan não era seu nome. naquele tempo ela era a fisionomia tranquila em que habitava kleine Frau. e foi por ela, Suilan, que esse estranho imaginário surgiu ao escritor.

e dela, rosto algum se conhece.

.
.
.
.
.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

.
.
.
.
.
.
escravizar cães

é que mais fazem de melhor

.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
há quem a ti precise perder baby. isso é como as ilhas que precisam perder partes de sua argila. isso é como um navio em deriva a deixar ao mar as coisas inúteis e pesadas do finado capitão.

há quem precise perder a voz. tornar-se um mudo. a mudez é algo que diz: quem mais aqui habita além de mim?

se estou só, de que me vale resmungar nas sombras?

valeria gastar meus verbos com cães que somente ladram?

me daria mais sensação de companhia se ao invés de ouvidos aos pássaros eu lhes desse frases nominativas?

há quem durma a lembrar que num ontem qualquer estivera ao lado do único semelhante de seu mundo? e a sensação da perda recomeça quando? a minutos antes do sono profundo ou a segundos depois do despertar? quando é que a indagação oscilante se revira entre as têmporas? e qual é essa questão? não seria: onde eu deveria estar agora?

e quem pensa assim não é o coelho louco que corre e corre em busca do tempo perdido?

uma busca em nada silenciosa pelo silêncio...


é assim que o dia se remonta agora.
.
.
.
.
.